Na segunda-feira (10), a bancada federal do Rio Grande do Norte se reuniu para discutir as emendas coletivas que serão incluídas no Orçamento Geral da União de 2026. O estado deve receber cerca de R$ 1 bilhão em recursos públicos, destinados a obras e investimentos estruturantes em diversas regiões.
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A expectativa pela distribuição dessas verbas tem mobilizado municípios e comunidades, e uma das mais atentas é a população da Serra de João do Vale, no município de Jucurutu, na região do Seridó, que cobra a inclusão da estrada da serra entre as prioridades da bancada potiguar.
A conclusão da estrada é uma reivindicação antiga dos moradores, que veem na obra uma oportunidade de impulsionar o turismo, facilitar o transporte e melhorar a qualidade de vida das famílias da região. Atualmente, mais de 2,5 mil pessoas vivem no alto da serra, a cerca de 750 metros de altitude.

O trecho que liga o platô da Serra de João do Vale até a sede de Jucurutu possui aproximadamente 19 quilômetros, dos quais apenas 1,8 km estão em obras — executados por meio de um convênio da Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba). O restante, cerca de 15 quilômetros, ainda depende de novos investimentos. Pelo lado de Triunfo Potiguar, município vizinho, há também um trecho de cerca de 7 quilômetros que precisa ser pavimentado.
Segundo os moradores, a falta de infraestrutura causa prejuízos, riscos e isolamento.
O professor Alberto Luiz relata que a situação já provocou acidentes envolvendo o transporte escolar; “as condições são perigosas. Já tivemos casos de acidentes no transporte de alunos que por pouco não aconteceu uma tragédia. É preciso que o governo olhe com mais atenção para isso”, afirmou.


O empreendedor Rivaldo Brasão, que possui um depósito de materiais de construção na serra, conta que já passou por situações de risco extremo ao trafegar pela estrada; “O caminhão que transporta o material do meu depósito já desceu a ribanceira duas vezes. Por pouco eu não morri. É muito perigoso”, alerta.
Durante o período das chuvas, o cenário se agrava. Segundo o morador Anelsino Silva, a comunidade chega a ficar completamente isolada; “quando chove, ficamos sem acesso. Se alguém adoecer, corre risco de vida, porque não tem como descer até o hospital em Jucurutu. A estrada vira um lamaçal”, relatou.

Situada a cerca de 279 quilômetros de Natal, a Serra de João do Vale é considerada uma das regiões de maior potencial turístico do interior potiguar. Nos últimos cinco anos, a localidade vem se consolidando como um dos novos destinos serranos do Rio Grande do Norte, atraindo visitantes e empreendedores. Pousadas, restaurantes, áreas de camping e mirantes estão sendo erguidos, impulsionando o turismo e a economia local.
Mas além das dificuldades de mobilidade, a precariedade da estrada também tem desestimulado novos empreendimentos; O empreendedor Janúncio Tavares, que iniciou a construção de uma pousada no alto da serra, precisou suspender os investimentos por falta de infraestrutura; “começamos a construir, mas tivemos que frear os investimentos. Sem uma estrada adequada, é inviável abrir o empreendimento. Se a obra estivesse concluída, a pousada já estaria funcionando, gerando emprego e renda para a comunidade”, explicou.

Para o advogado caicoense, Fábio Leite que construiu uma casa de campo no alto da serra, a conclusão da estrada é essencial não apenas para o turismo, mas também para a dignidade e o desenvolvimento social da comunidade; “a serra de João do Vale desponta como um dos principais polos turísticos do Estado, mas o acesso ainda é o grande entrave. É preciso que a bancada potiguar olhe com atenção para essa pauta”.
A pavimentação da estrada da serra de Joao do Vale é uma reinvindicação antiga. Para 2026, moradores e investidores do turismo esperam que, com o apoio da bancada federal, a estrada finalmente entre na agenda pública do estado e saia do papel após décadas de espera.

























































