Com informações da Ufersa
O custo da alimentação encerrou 2025 com comportamentos distintos entre municípios do Rio Grande do Norte e do Nordeste. Mossoró e Pau dos Ferros fecharam o ano com redução acumulada no valor da cesta básica, de 2,4% e 4,5%, respectivamente. No sentido oposto, Angicos e Caraúbas registraram aumento no custo dos alimentos ao longo do ano. A diferença regional também se evidencia fora do estado, com o custo da cesta básica em Fortaleza permanecendo significativamente acima do observado em Caicó.
Os dados constam no Boletim do Índice de Custo da Cesta Básica Essencial (ICBE), referente a dezembro de 2025, elaborado pelo Laboratório de Engenharia Econômica (Lecon), vinculado ao curso de Engenharia de Produção da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa). O levantamento é realizado nos municípios onde a universidade possui campus e conta com coordenação local dos professores Thiago Costa e Cristiane Tabosa, em Mossoró; José Alderir, em Angicos; Fabiano Dantas, em Caraúbas; e Anderson Lemos, em Pau dos Ferros.
De acordo com os pesquisadores do Lecon, a formação dos preços ao longo do ano foi influenciada por fatores climáticos e de mercado. Em escala nacional, safras elevadas e maior oferta interna contribuíram para a queda de produtos básicos como arroz, açúcar e leite, impactando diretamente o custo final da cesta em algumas cidades. Esse movimento ajudou a conter a inflação alimentar em determinados municípios, especialmente onde esses itens possuem maior peso no consumo das famílias.
Em contrapartida, o café apresentou elevação expressiva em todos os municípios analisados e se consolidou como o principal fator de pressão sobre os preços em 2025. Em algumas localidades, a alta acumulada ultrapassou 50%. Segundo o levantamento, o comportamento do produto está associado à redução dos estoques globais e ao aumento dos custos de produção, fatores que limitaram a oferta e sustentaram os reajustes ao longo do ano.
No recorte municipal, Mossoró registrou queda acentuada no preço do arroz, com redução acumulada de 37,2%, o que contribuiu para o fechamento do ano em retração no valor da cesta básica. Ao mesmo tempo, o município foi impactado por aumentos em itens como carne e café, que reduziram parte do efeito positivo observado em outros produtos.
Caraúbas, apesar de manter uma das cestas básicas com menor valor nominal entre as cidades analisadas, apresentou trajetória de alta em 2025. O resultado foi influenciado principalmente pelos aumentos nos preços da banana e da farinha, itens relevantes no consumo local e que pressionaram o custo final da alimentação.
Pau dos Ferros apresentou a maior redução acumulada do ano entre os municípios monitorados. O desempenho foi puxado, sobretudo, pela queda expressiva no preço do açúcar, que chegou a quase 50% no acumulado de 2025, impactando diretamente o índice local e ampliando o poder de compra das famílias no município.


















































