A Secretaria de Estado da Saúde Pública do Rio Grande do Norte (Sesap) confirmou a identificação do fungo Candida auris em um paciente internado no Hospital Central Coronel Pedro Germano, o Hospital da Polícia Militar, em Natal. A confirmação ocorreu após a realização de dois exames laboratoriais no Laboratório Central de Saúde Pública do Estado (Lacen-RN).
Segundo a Sesap, o paciente está em isolamento e segue internado para tratamento de outra enfermidade. As equipes assistenciais do hospital adotaram medidas de controle de infecção para evitar a transmissão a outros pacientes e aos profissionais de saúde. Paralelamente, as equipes de vigilância em saúde realizam o monitoramento e o rastreamento do caso.
De acordo com a secretaria, a transmissão do Candida auris ocorre por contato direto, principalmente em ambientes hospitalares, e não apresenta alto nível de contaminação quando os protocolos de prevenção são corretamente aplicados.
O que é o Candida auris
O Candida auris é um fungo identificado pela primeira vez em 2009, no Japão. Desde então, casos foram registrados em diferentes países. Trata-se de uma levedura da família Candida que não integra a microbiota humana e está associada, principalmente, a infecções em pacientes hospitalizados ou institucionalizados.
A espécie ganhou atenção internacional por apresentar dificuldades de diagnóstico e tratamento, além de elevada capacidade de disseminação em serviços de saúde. Por esse motivo, é frequentemente classificada como um “superfungo”.
No Brasil, o primeiro registro de infecção ocorreu em Salvador, em 2020. À época, o aumento da ocupação de leitos de UTI durante a pandemia de Covid-19 e a sobrecarga dos serviços de saúde contribuíram para o surgimento e a circulação do fungo.
Risco em ambientes hospitalares
O Candida auris pode aderir tanto a tecidos vivos quanto a superfícies inertes, incluindo equipamentos e dispositivos médicos. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, esses equipamentos podem atuar como vetores de transmissão quando não há controle rigoroso de desinfecção.
Dispositivos invasivos, como cateteres venosos centrais, podem funcionar como porta de entrada do fungo na corrente sanguínea. Quando isso ocorre, há risco de desenvolvimento de candidíase invasiva, infecção que pode se disseminar para diferentes órgãos.
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a taxa de mortalidade associada à candidíase invasiva varia entre 29% e 53%, especialmente em pacientes com sistemas imunológicos comprometidos.
Diferenças em relação a outras espécies de Candida
Em condições normais, seres humanos convivem com fungos do gênero Candida na pele e no trato gastrointestinal. A maioria das infecções humanas está relacionada à Candida albicans, responsável por quadros como candidíase genital, sapinho e dermatite de fralda, geralmente sensíveis ao tratamento antifúngico.
O Candida auris, no entanto, apresenta maior capacidade de desenvolver resistência a medicamentos. Cepas identificadas em países como Estados Unidos, Índia e África do Sul demonstraram resistência às três principais classes de antifúngicos disponíveis: polienos, azóis e equinocandinas.
Outra característica relevante é a adaptação ao ambiente hospitalar. Diferentemente de outras espécies de fungos, que não sobrevivem a temperaturas superiores a 36,5°C, o Candida auris suporta temperaturas entre 37°C e 42°C, o que favorece sua permanência no corpo humano e em superfícies hospitalares.
A Sesap informou que segue acompanhando o caso e reforçou que as medidas de controle e vigilância permanecem ativas para prevenir novos registros da infecção no estado.



















































