A chegada de um novo ano costuma trazer balanços pessoais. Rever metas, ajustar rotas, pensar no futuro. Mas, na prática, o planejamento financeiro ainda recebe menos atenção do que deveria. Com a chegada de 2026, despesas recorrentes e inevitáveis voltam a bater à porta e exigem organização para evitar sustos logo nos primeiros meses do ano.
Impostos, contas acumuladas, gastos com casa, transporte, alimentação e serviços básicos fazem parte da rotina de qualquer família. Justamente por isso, planejar não é luxo. É necessidade. Segundo especialistas, o erro mais comum está em organizar quase tudo na vida, menos o dinheiro.
A primeira etapa do planejamento financeiro é simples e essencial. Entender quanto se ganha e quanto se gasta para manter o básico funcionando. Moradia, energia, internet, alimentação, locomoção, combustível ou transporte público entram nessa conta inicial.
A partir desse diagnóstico, o orçamento passa a fazer sentido. Não se trata apenas de cortar gastos, mas de distribuir melhor os recursos para que os objetivos sejam possíveis ao longo do ano.
Outro ponto central é a construção de uma reserva de emergência, mesmo que aos poucos. A contadora Maria Helena explica que guardar pequenas quantias já faz diferença no médio prazo.
“A reserva é importante para situações inesperadas. Um problema de saúde, um conserto urgente, algo que não estava no planejamento. Ter esse dinheiro evita dívidas e traz tranquilidade”, destaca.
Essa reserva deve ser pensada como prioridade dentro do orçamento, antes mesmo de projetos maiores, como viagens ou bens de alto valor.
Depois de organizar as contas e iniciar a reserva, o próximo passo é aprender a investir. Para quem está começando, Maria Helena recomenda opções seguras, como os títulos do Tesouro Nacional, disponíveis inclusive em aplicativos bancários.
“São investimentos ligados ao Tesouro, com baixo risco e retorno menor, mas garantido. Eles costumam render mais do que a poupança e ajudam a criar o hábito de investir”, explica.
O princípio é simples: quanto menor o risco, menor o retorno. Ainda assim, para iniciantes, a segurança é um fator decisivo.
Outro ponto que merece atenção especial é o uso do cartão de crédito. Quando bem planejado, ele pode ser um aliado, inclusive para acumular milhas e organizar pagamentos. O problema surge quando o cartão passa a ser tratado como extensão da renda.
“O erro é contar o limite do cartão como se fosse dinheiro disponível. A fatura chega, e ela precisa ser paga com a renda real”, alerta a especialista.
Usar o cartão com consciência, sabendo exatamente quanto será possível pagar no mês seguinte, é o que define se ele será ferramenta ou problema.
Para muitos consumidores, a virada do ano gera ansiedade justamente pela falta de planejamento. A orientação é clara: organização financeira reduz preocupações e evita decisões impulsivas ao longo do ano.
Planejar não significa prever tudo, mas criar margem para lidar melhor com o inesperado. E, na prática, esse cuidado é o que permite transformar sonhos em metas possíveis, sem comprometer o equilíbrio das contas.



















































