Com informações do G1 RN
Subiu para três o número de golfinhos mortos após o encalhe em massa ocorrido no último domingo (4) na praia da Redinha Nova, em Extremoz, na Grande Natal. O terceiro animal foi encontrado sem vida na manhã desta terça-feira (6), na mesma faixa de areia onde o episódio inicial chamou a atenção de moradores e pesquisadores.
Uma equipe do Centro de Estudos e Monitoramento Ambiental (Cemam) esteve no local, recolheu o corpo e encaminhou o animal para necrópsia. A suspeita é de que os três golfinhos mortos façam parte do mesmo grupo, que encalhou de forma conjunta ao longo dos últimos dias.
O que aconteceu no domingo
O primeiro encalhe foi registrado no domingo, quando pelo menos dez golfinhos apareceram presos na areia da Redinha Nova. Em uma ação imediata, moradores da região ajudaram a devolver a maioria dos animais ao mar. No entanto, um deles permaneceu debilitado.
Quando a equipe de biólogos e médicos-veterinários chegou, o animal ainda estava vivo, recebeu atendimento emergencial, mas não resistiu. No dia seguinte, segunda-feira (5), outro golfinho foi encontrado morto na praia de Graçandu, também em Extremoz, reforçando a hipótese de um evento contínuo e relacionado.
De acordo com a bióloga Clara Melo, do Cemam, o comportamento da espécie ajuda a explicar o encalhe coletivo. Segundo ela, trata-se de um grupo que vive em águas mais oceânicas, distante da costa, e que possui um forte vínculo social.
“Eles andam sempre em grupo. Quando um encalha, os outros tendem a acompanhar. Nenhum encalhe acontece por acaso. Se um animal está doente, é muito provável que os demais enfrentem a mesma condição física”, explicou.
A necrópsia realizada no primeiro golfinho morto, um macho adulto, revelou alterações significativas. Os pesquisadores identificaram inflamações no sistema auditivo, especialmente nas bulas timpânicas, estruturas essenciais para a orientação, navegação e localização de presas.
Também foram encontradas infestações parasitárias em diversos órgãos, indicando um quadro de possível adoecimento sistêmico.
“Era um animal com grande quantidade de vermes parasitas, o que sugere que ele já estava debilitado. Ainda estamos investigando os outros casos para fechar um diagnóstico completo”, afirmou a bióloga.
Os episódios recentes fazem parte de um cenário mais amplo. Dados do Cemam mostram que, entre 1º de dezembro de 2025 e 5 de janeiro de 2026, foram registrados 54 encalhes de animais marinhos no litoral potiguar, incluindo golfinhos, tartarugas e outras espécies.
No mesmo período do ano anterior, foram 29 ocorrências. O aumento de 25 casos representa um crescimento superior a 86%, acendendo um sinal de alerta para pesquisadores e órgãos ambientais.

















































