Quarenta e dois anos longe da sala de aula não apagaram o sonho de estudar. Pelo contrário, apenas adiaram. Aos 15 anos, Alfredo Medeiros precisou abandonar os livros para sustentar a família depois que o pai adoeceu. Criou cinco irmãos e construiu a vida no trabalho. Só agora, aos 57, decidiu voltar aos estudos pelo programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Na quarta-feira (27), ele viveu um momento importante que nunca tinha imaginado: apresentou um projeto científico na 18ª Feira de Ciências da 12ª Direc, em Mossoró. “Só o estudo proporciona momentos como esse, a chegar aonde eu cheguei”, conta emocionado.
O retorno não foi simples. No início, o receio de não acompanhar os colegas pesava para Seu Alfredo. Mas logo ele percebeu que o conhecimento ainda estava guardado. “Achei que não ia saber mais nada, mas voltou tudo. E matemática, por exemplo, nunca esqueci. Eu sou bom nisso e me orgulho de dizer.”
A presença de Alfredo na feira, ao lado de tantos jovens, demonstra a importância da educação em qualquer etapa da vida. Para o professor Ramon Torquato, experiências como a dele enriquecem a sala de aula: “São alunos que carregam uma trajetória de vida enorme, de agricultura, mecânica, elétrica. Quando eles voltam, trazem essa bagagem e isso se soma ao aprendizado científico. É muito valioso.”
A feira reuniu mais de 200 projetos de escolas estaduais do Oeste potiguar, muitos voltados a temas como sustentabilidade e inclusão. A história de Seu Alfredo atrai olhares por mostrar que o conhecimento não tem idade. E mais que isso, que recomeçar, mesmo após décadas, pode abrir caminhos até então inimagináveis.

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