Um novo estudo liderado pelo professor Lucas Rodriguez Forti da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em parceria com estudantes de pós-graduação do programa de pós-graduação em Ecologia e Conservação (PPGECO) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA), foi publicado na revista Global Ecology and Biogeography. A pesquisa mostra que a ação humana está alterando um dos principais mecanismos de defesa dos lagartos: a perda voluntária da cauda, conhecida como autotomia.
O grupo analisou mais de 140 mil imagens de geckos ao redor do mundo, e descobriram que, em áreas com maior presença humana, as taxas de perda de cauda caem de cerca de 25% para menos de 12%. Isso sugere que os lagartos estão menos propensos a usar esse mecanismo em ambientes modificados.

A redução na perda de cauda em áreas modificadas pode indicar que os lagartos estão enfrentando menos predadores ou mudando seu comportamento de defesa com o avanço das degradações humanas. Isso pode ter relevância em como os pesquisadores interpretam dados ecológicos, especialmente em estudos que usam a autotomia como indicador de pressão predatória. Os efeitos são mais graves em espécies pequenas e saxícolas, as quais são mais propensas a exibir o comportamento. O professor Forti demonstra grande preocupação sobre a possível erosão de traços fenotípicos em animais selvagens com o avanço das alterações humanas no planeta.
“Muitos destes traços, como a capacidade de soltar a cauda voluntariamente destes lagartos, são relevantes para a sobrevivência – não sabemos se isso poderá ser uma tendência evolutiva, por tanto é algo que precisa ser melhor investigado”, completa o pesquisador. O estudo ainda destaca o potencial da ciência cidadã para revelar padrões ecológicos em escala planetária.
O professor também destaca o papel fundamental dos estudantes na coleta de dados e na condução de etapas-chave da pesquisa, reforçando a importância da colaboração: “Minha missão na pós-graduação tem sido romper com o modelo tradicional, que ainda privilegia apenas a relação estudante-orientador. Precisamos abrir espaço para uma produção de conhecimento mais horizontal e colaborativa.”

















































