por Alexandre Fonseca, com produção de Elizângela Moura
Anos atrás, o maquiador Deni Araújo foi diagnosticado com dentes supranumerários, que significa uma alteração no desenvolvimento da arcada dentária. O excesso de dentes na boca resultou em uma série de incômodos, “sentia algumas dores, pressão nos dentes, dificultava na escovação, até pra passar o fio dental atrapalhava”, conta.
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De imediato, Araújo buscou ajuda médica, procurou um dentista de sua confiança e conseguiu fazer a remoção dos dentes indesejados. Caso o procedimento não tivesse sido realizado com precisão e diagnóstico precoce, a condição bucal do maquiador poderia ser agravada, podendo se tornar uma maloclusão, que é o posicionamento inadequado dos dentes e de suas bases ósseas.
“A maloclusão é uma anormalidade, um desalinhamento dos dentes, independente da idade, do sexo do ser humano. É um problema que pode causar várias sequelas e ter diversas origens, seja genética ou não. Tem pessoas que já nascem com a mandíbula mais proeminente pra frente (queixo grande) e tem também aqueles que possuem a mandíbula menor (queixo pequeno). Existem os que apresentam a mordida cruzada e o próprio mau posicionamento dos dentes”, explica Ney Robson, implantodontista e reabilitador oral.
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Casos de maloclusões. Fotos: Banco de Imagem.
O indivíduo que convive com a maloclusão estará suscetível a uma péssima qualidade de vida quando o assunto é saúde bucal. “O paciente terá dificuldade na alimentação, na mastigação, na fala, dor na articulação temporomandibular, limitações de abertura. Essas situações precisam ser diagnosticadas de forma correta, no tempo certo, pra diminuir as sequelas, que muitas vezes ficam irreversíveis”, acrescenta Robson.
O ortodontista orienta ainda sobre a importância do diagnóstico precoce, principalmente na infância. As intervenções cirúrgicas para corrigir uma maloclusão vão ser mais tranquilas e terão maiores chances de sucesso. “Ao fazer uma investigação cedo, aquela criança com problemas respiratórios, refluxo, com imperatividade, bruxismo, vai ter uma vida e saúde bucal mais tranquila”, finaliza.
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“É muito importante fazer uma visita a um profissional, é ele que vai saber tratar o problema e examinar com clareza. Importantíssimo fazer exames preventivos, para descobrir anomalias e resolver o mais rápido possível”, indica o maquiador.
No Brasil, uma pesquisa publicada no site Scielo, em dezembro de 2010, apontou que em 19 estados do país, incluindo o Rio Grande do Norte, crianças entre 6 e 10 anos eram as mais afetadas. O texto de André Wilson Machado, na época, aluno da Universidade Federal da Bahia, conclui que seria necessário “a presença, nos postos públicos de saúde, de um especialista em Ortodontia, com qualificação que atenda aos padrões estabelecidos pela Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial (ABOR) e pela World Federation of Orthodontists (WFO)”, beneficiando as crianças carentes que não tem acesso fácil a um plano odontológico.
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Pesquisa de André Machado sobre casos de maloclusões em crianças. Imagens: Scielo.
Poucas são as campanhas bucais realizadas nos ambientes comunitários e escolares, para crianças, jovens e adultos. “O programa de saúde bucal dos governos deixa muito a desejar. Desconheço um plano eficiente na atenção básica, imagina quando se fala de distúrbios dessa natureza. As pessoas precisam ter esse conhecimento e as associações, promoverem mudanças, introduzindo essas informações nas escolas, na sociedade”, conclui o reabilitador.
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