Um funcionário da Petrobras, com mais de quarenta anos de serviço prestado à estatal, denuncia a empresa por assédio moral e psicológico no ambiente de trabalho. Walter Lúcio, de 61 anos, ingressou na companhia em janeiro de 1984 após ser aprovado em concurso público para o cargo de operador de produção. Desde então, acompanhou de perto as mudanças estruturais e administrativas da empresa. No entanto, segundo ele, nos últimos anos, sua vida profissional tem sido marcada por sofrimento e perseguições dentro da estatal.
De acordo com Walter, o início dos problemas remonta a 2008, quando sofreu um acidente durante o expediente. Ele relata que ficou preso em um trecho do oleoduto entre as estações de Lorena e Upanema. O caso, segundo ele, não foi registrado como acidente de trabalho pela Petrobras.
“Começou mais forte em 2008, após eu sofrer um acidente de trabalho. Fiquei preso em um trecho do oleoduto, e o supervisor na época alegou que não foi grave. Por isso, não caracterizaram como acidente. Falo isso para alertar: nenhum trabalhador deve deixar de registrar esse tipo de ocorrência”, afirmou o empregado.
Desde o episódio, Walter afirma ser alvo constante de assédio moral. A situação teria se agravado nos últimos anos, especialmente após mudanças administrativas na estatal, incluindo a venda de ativos da empresa. Enquanto parte da equipe foi transferida, Walter permaneceu em Mossoró. Depois de um período em home office, passou a ser obrigado a comparecer presencialmente ao trabalho duas vezes por semana, em Natal, trajeto que, segundo ele, compromete sua saúde. O servidor possui um laudo que confirma o diagnóstico de Transtorno de Ansiedade Generalizada e Síndrome do Pânico que, segundo ele, o impede de se deslocar a trabalho.
“Eu não consigo. Todas as vezes que tento ir, começo a passar mal. De Assú para Lajes, desmaio no ônibus. Tenho laudos, exames e atestados que comprovam minha condição. O médico alerta que eu posso morrer durante a viagem. E mesmo assim, nada muda. Eles não têm família?”, desabafa.
Medicações: Foto: Jornalismo TCM
Segundo ele, apesar de possuir laudo médico que o classifica como Pessoa com Deficiência (PCD) no trânsito, a Petrobras não o reconhece como PCD internamente.
“Fiz denúncias na Petrobras, no Ministério Público do Trabalho, até no Conselho Federal de Medicina, por orientação dos próprios médicos que me atendem. Abri processos, fiz ouvidorias, mas até agora não tive resposta. Só quero justiça.”
Walter Lúcio entrou com ação judicial contra a empresa. A reportagem procurou a Petrobras, que se manifestou por meio de nota. Confira:
“A Petrobras não tolera qualquer tipo de assédio. A companhia conta com práticas e procedimentos robustos de prevenção ao assédio moral, além de investigação e apuração de responsabilidades, quando necessário. No caso do empregado, os procedimentos foram seguidos e concluiu-se que a situação relatada não procede.
É importante ressaltar que o empregado em questão é lotado em Natal (RN), devendo executar suas atividades de trabalho presenciais nas instalações da companhia na referida cidade, assim como os demais empregados da Petrobras na mesma situação o fazem. As regras de teletrabalho (home-office) integral da empresa exigem condições específicas de saúde que não são atendidas pelo empregado. Cabe destacar, ainda, que o próprio empregado submeteu estas mesmas alegações à apreciação do Poder Judiciário Trabalhista, encontrando-se atualmente vigente decisão judicial favorável à Petrobras.
A empresa reitera que está comprometida com um ambiente de trabalho saudável e digno para todos seus trabalhadores, livre de discriminação e assédio. A companhia incentiva os empregados que tenham vivenciado ou estejam vivenciando situações de assédio a registrarem seus relatos no Canal Denúncia da Petrobras (https://www.contatoseguro.com.br/petrobras). Por meio desses registros, a empresa pode tomar as medidas cabíveis para apuração e aplicação de sanções. A companhia também conta com o Canal de Acolhimento, com atendimento 24 horas, 7 dias por semana, disponível para escuta e orientação a empregados próprios e contratados afetados por qualquer tipo de violência no trabalho.
A Petrobras reforça seu compromisso com a proteção às vítimas e enfatiza que a privacidade e o acolhimento às pessoas denunciantes serão garantidos. ”
Confira a reportagem produzida pelo Jornalismo TCM: