Aos 81 anos, o médico veterinário Zé Jamildo Medeiros encerrou 2025 com um feito raro no atletismo amador. Ele foi eleito corredor do ano após disputar 24 corridas e subir ao pódio em 23 delas. Em grande parte das provas, terminou em primeiro lugar. O resultado é a soma de uma temporada marcada por constância, metas progressivas e participação regular em competições de rua.
A trajetória na corrida começou de forma gradual. Zé Jamildo relata que os primeiros treinos alternavam corrida e caminhada. “Quando comecei correr, comecei correndo 100 metros e andava 100. Depois comecei a correr 200 e andar 100. Hoje já firmei a meia maratona de 21 quilômetros e ainda tenho pretensões de realizar a maratona de 42 quilômetros”, afirmou.
O ingresso no esporte veio a partir da observação diária. A clínica veterinária onde trabalha fica em frente a uma assessoria esportiva. O movimento constante de atletas chamou a atenção e despertou o interesse em buscar orientação profissional. A decisão deu início a uma rotina de treinos acompanhados e participação frequente em provas.
“Comecei devagarzinho, devagarzinho, e estou por aí. É um desafio porque a minha idade… vou completar 82 anos agora em maio, mas estou com uma saúde perfeita, não tomo medicamento para absolutamente nada. Quero levar essa mensagem para o pessoal da minha idade: vamos nos levantar e começar a correr. Correr traz saúde e também muita felicidade”, disse.
Com o passar do tempo, a corrida deixou de ser apenas um exercício físico e passou a ocupar espaço fixo na rotina. Em 2025, o foco esteve nas provas de média e longa distância, com destaque para a consolidação da meia maratona como referência pessoal. A próxima meta já está definida: completar os 42 quilômetros da maratona.
O desempenho competitivo e a presença constante em provas resultaram no reconhecimento como corredor do ano. Para Zé Jamildo, o título está ligado à permanência no esporte ao longo do tempo. “O que vale é a determinação e a força de vontade. Achar que, com a idade avançada, não é capaz de nada e jogar a toalha fora. É avaliação global: determinação, idade. Talvez eu seja o atleta de corrida de rua mais velho do Rio Grande do Norte”, afirmou.
Além dos resultados, ele aponta outros efeitos diretos da prática. A corrida ampliou o círculo social, fortaleceu vínculos e trouxe novas referências. “A gente sempre encontra pessoas motivadoras. Encontrei um grande amigo, Elson, supermaratonista, que já correu 50 quilômetros. Ele me motivou. Quando recebi o primeiro troféu, ele disse: ‘Esse é o primeiro de muitos’. Já fizemos uma meia maratona, estamos pensando em fazer a maratona no fim do ano e já recebemos convite para outra prova”, contou.
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