“A gente tem que jogar em todas as posições, né?” A frase, dita de forma descontraída, resume bem a fase vivida por Paulo Borges. Sem patrocínio para disputar mais uma competição internacional pela Seleção Brasileira Master de basquete, o atleta precisou trocar temporariamente as quadras pelos estúdios de televisão para arrecadar recursos e seguir representando o Rio Grande do Norte.
Carioca de origem, mas radicado em Caraúbas, Paulo é tetracampeão estadual vestindo as camisas do Buckets, de Mossoró, e do Infodigital, de Apodi. Ao longo dos últimos anos, acumulou convocações para a seleção master e participações em grandes torneios, conciliando a carreira esportiva com o trabalho como professor temporário da rede estadual de ensino e com projetos sociais voltados a crianças e adolescentes.


Com o fim do contrato em sala de aula e a falta de apoio financeiro, ele encontrou uma alternativa fora do esporte: a dramaturgia.
Paulo passou a integrar o elenco de apoio da próxima novela das seis da Rede Globo, A Nobreza do Amor. O convite surgiu durante gravações realizadas no próprio Rio Grande do Norte, em cidades da região Oeste, como Mossoró, Baraúna e Areia Branca.
“É uma novela de protagonismo negro, que aborda a força africana na formação do Brasil, com um grande elenco. As primeiras cenas foram gravadas aqui na região, e eu participei como apoio”, conta.
“Fico feliz por representar o interior, sendo negro, professor e atleta dentro e fora de quadra. É importante nos vermos na tela.”

Leia também: Mossoroense Severo Ricardo contracena com Lázaro Ramos em novela gravada no RN
E ainda: Trailer da nova novela das seis chama atenção por cenas gravadas no Rio Grande do Norte
Depois, vieram novas chamadas para gravações no Rio de Janeiro, incluindo externas e estúdios do Projac. Apesar da experiência inédita, o objetivo é claro: custear a participação no Campeonato Pan-Americano Master, que será disputado entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, em El Salvador.
“Estou gravando há algumas semanas exclusivamente para suprir a falta de patrocínio. Fui convocado pela seleção brasileira, mas preciso arcar com os custos. Esse trabalho é para conseguir viabilizar a viagem”, explica.

Mesmo grato pela oportunidade, o atleta lamenta que precise buscar renda em outra área para continuar competindo em alto nível.
“Fazer o esporte acontecer no Nordeste é um desafio. A gente espera que, ao alcançar resultados, o apoio apareça, mas nem sempre acontece”, afirma.

Os números reforçam o currículo: quatro títulos estaduais consecutivos, conquistas no basquete tradicional e no 3×3, três convocações seguidas para a Seleção Brasileira Master e destaque individual como cestinha em competições nacionais e internacionais, incluindo um Mundial na Suíça. Ainda assim, o patrocínio não veio.
“Você chega ao topo e continua sem suporte. Então precisa buscar alternativas. No meu caso, foi a arte, para continuar vestindo a camisa de Caraúbas, Mossoró e do Rio Grande do Norte”, diz.

O cachê da novela ajudará, mas não cobre todas as despesas. Para completar os custos, Paulo tem feito rifas e busca apoio de empresas e parceiros.
“Esse trabalho cobre só parte do valor. Ainda preciso de ajuda com urgência para não ficar fora do Pan-Americano. O perrengue que o atleta de basquete passa é o mesmo do futsal, do vôlei, de qualquer modalidade. O esporte precisa de união”, destaca.
Enquanto aguarda novos apoios, Paulo segue conciliando ensaios, gravações e treinos. Afinal, como ele mesmo resume, é preciso estar pronto para atuar onde for necessário.


















































