por Alexandre Fonseca
Reunir dez mulheres que marcaram a história ou estão construindo seu caminho pela comunicação potiguar, foi por algumas semanas, a missão das estudantes de jornalismo Joyce Neres e Vitória Araújo. Com o propósito de captar depoimentos, experiências de vida, desafios em ambientes corporativos preconceituosos e entender suas lutas, nasceu o Por Elas, um produto audiovisual em formato de documentário, exibido pela primeira vez durante a Segunda Semana de Jornalismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
Exibição do documentário Por Elas no auditório da FAFIC, Uern. Fotos: Alexandre Fonseca.
“Surgiu como uma ideia na disciplina de comunicação alternativa, sob orientação do professor Higo Lima. Tínhamos que disponibilizar um produto e tanto eu, quanto Vitória, estávamos interessadas em produzir um documentário e a pauta de mulheres foi algo que a gente sempre gostou de trabalhar”, explica a diretora Joyce.
“É um documentário com cerca de 15 minutos, que resgata memórias, que aborda narrativas femininas na comunicação, que busca entender como foi para as pioneiras chegar nesse espaço, o que elas encontraram e finalizando com uma mensagem para aquelas que estão começando no mercado”, completa.

Joyce Neres e Vitória Araújo, diretoras do documentário Por Elas. Foto: Alexandre Fonseca.
“Desde que eu iniciei a graduação, tinha um desejo de fazer algum produto audiovisual. Entrei no jornalismo pelo interesse nessa área, possuia várias ideias. E a gente já tinha esse tema de falar sobre mulheres, casamos de produzir o documentário. Aprendi muito, principalmente na parte de gravação. Foi uma semana inteira de gravação, intensa, e pra mim, segue como uma lição profissional. Também gosto bastante de editar”, revela a diretora Vitória.

Diretoras ao lado das personagens Izaíra Thalita e Sayonara Amorim. Foto: Alexandre Fonseca.
Entre as personagens, Sayonara Amorim, jornalista com mais de 20 anos de atuação no Rio Grande do Norte. “Espero ter conseguido contribuir com o trabalho das meninas, com o relato da minha trajetória jornalística na comunicação mossoroense. Acho que foi legal, passei um pouco das histórias e acredito que deu certo”, declara Sayonara.
Além de Amorim, a professora, diretora e jornalista Izaíra Thalita, fez parte do projeto. “Fiquei muito feliz de ter sido lembrada. É importante a gente recordar os desafios, nossa trajetória, o que vivemos no jornalismo. Hoje, considero que abrimos caminhos, em muitos sentidos, não só eu como as outras colegas que participam do documentário”, pontua Izaíra.
Mulheres no audiovisual
A cena audiovisual uerniana está em desenvolvimento acelerado. Cresceu o número de mostras e festivais que contemplam a exibição de obras realizadas por estudantes talentosos, com temáticas inviabilizadas em tempos passados. E no processo de construção dessa leva de produtos audiovisuais universitários, estão as figuras femininas, evidenciando suas potencialidades e cravando suas identidades em cada produção lançada.
“Confesso que até pra mim, esse pé no audiovisual é uma coisa nova. E ter a oportunidade, dentro da faculdade, de produzir, é algo grandioso, que me acrescenta muito na vivência acadêmica. É algo que realmente tenho curiosidade em explorar”, conta Joyce.
Bastidores do documentário Por Elas. Fotos: cedidas.
“É sim uma ascensão! Antes não era assim, não tínhamos muito essa abertura. Uma prova disso é que na época que eu trabalhava no jornal, era a única mulher que fazia reportagem policial por falta de espaços. Hoje a gente vê que tem mulheres dirigindo, produzindo e acho que ainda tem muito o que avançar”, opina Sayonara.
“Acho importante a gente ter produtos audiovisuais que falem sobre as mulheres, de suas histórias. Existe, obviamente, um protagonismo masculino não só na condução dos trabalhos, mas também, ao contar suas histórias, então, produtos como esse se diferenciam pela peculiaridade de ouvir mulheres, de valorizar as mulheres e suas lutas”, afirma Izaíra. O documentário Por Elas é só um pontapé no percurso cultural em que Joyce e Vitória estão inseridas, por decisão delas e às duas objetivam continuar contribuindo com o audiovisual norte-riograndense. “Quando eu vi o produto pronto, fiquei muito feliz. A gente pretende exibir em outros lugares, pra que mais pessoas conheçam o nosso projeto”, planeja Vitória.





















































