Na manhã desta terça-feira (11), equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Proteção Animal (Semapa) e do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do Rio Grande do Norte (Idiarn) realizaram uma inspeção técnica na comunidade Boa Vista, zona rural de Lajes, para avaliar relatos de ataques de morcegos hematófagos a bovinos da região.
O produtor rural Heleno Bernardino informou ter perdido 15 animais após o surgimento de feridas e esfoliações na pele do rebanho. Situação semelhante foi constatada por outros criadores da localidade.
Durante a vistoria, os técnicos identificaram ferimentos com sangramentos nas costas e nas pernas de alguns animais, o que pode indicar a ação de morcegos hematófagos. A inspeção foi conduzida pelo secretário da Semapa, Gilson Nunes, e pela médica veterinária e fiscal do Idiarn, Lourdes Silva, responsável pelo controle de raiva transmitida por morcegos hematófagos em herbívoros no estado.
A veterinária explicou que a simples mordida do morcego não significa necessariamente que o animal esteja contaminado com o vírus da raiva.

“Ainda é cedo para afirmar. A confirmação depende de análises laboratoriais”, destacou. Segundo ela, morcegos hematófagos são os principais transmissores da raiva em herbívoros — como bovinos e equinos — por meio de mordidas ou arranhões durante a alimentação de sangue.
Durante a visita, a equipe orientou os criadores a aplicar Vampiricid, pomada utilizada no controle de morcegos hematófagos, e procedeu à vacinação antirrábica imediata dos animais. Lourdes Silva reforçou a importância de manter a vacinação em dia, conforme o calendário sanitário, e orientou os produtores a notificarem o Idiarn sobre qualquer novo caso suspeito.
O Idiarn mantém um programa permanente de controle de morcegos hematófagos. Ficou agendada uma nova visita técnica às furnas da Serra do Feiticeiro, próxima à comunidade Boa Vista, para realizar o controle populacional desses animais conforme os protocolos sanitários.
De acordo com a veterinária, o aumento dos ataques pode estar relacionado à estiagem severa na região. “Com a seca, muitos animais silvestres — como roedores e raposas, que também servem de alimento aos morcegos — migram em busca de abrigo e água. Isso faz com que os morcegos busquem sangue em rebanhos domésticos, como bovinos, aves, suínos e equinos”, explicou.

O secretário Gilson Nunes informou que, até o fim do mês, a Semapa e o Idiarn promoverão uma reunião com todos os criadores do município para reforçar a importância da vacinação antirrábica em massa e orientar sobre medidas preventivas.
“É fundamental que todos os produtores mantenham a vacinação de bovinos, suínos e equinos atualizada. Essa é a principal forma de proteger os rebanhos e evitar perdas”, ressaltou Nunes.
Outro ponto destacado é a necessidade de registrar ocorrências junto ao Idiarn. O órgão mantém um canal de comunicação para notificação de doenças de controle obrigatório, como raiva e gripe aviária, por meio da plataforma Sisbravet.
“Com as notificações, conseguimos acompanhar os casos e coletar amostras de animais suspeitos, o que nos permite emitir laudos precisos e adotar medidas de controle mais eficazes”, explicou a veterinária.



















































